21 janeiro, 2009

Errante

É noite em ti.
E te descubro. Desnudo.
O suor da carne em gosto quente
À pouca luz do luar crescente.

Trapos, minhas tralhas e farrapos.
Migalhas de um céu amarelado.
Sobre o lençol te estendo e ardo
A queimar o ardor de um ser alado.

Olho morta a boca viva
De mãos vazias e alma altiva.
Um corpo limpo no chão sujo,
O esconderijo de onde fujo.

E no fim, percebo que afundo
Num mar terreno e mais profundo.
Restou pavor, paixão distante
Da amada flor. E acabo errante.

2 comentários:

O Pierro Retrocesso disse...

despetalado
desajeitado
desabrigado
desregulado
de olho no lado
quadrado
calado
amado(r).

Letícia disse...

Glaucia,

São poucos os poetas que me tocam. Eu leio seu poema e cada palavra tem a sonoridade do sentimento. Você é uma poeta de primeira. Gosto muito.

"Trapos, minhas tralhas e farrapos.
Migalhas de um céu amarelado..."

Lindo isso, Glaucia.