03 novembro, 2009

Deslocada

Não quero mais pertencer a tais dias de sol, eles não me deixam nada, por nada. Não sabem o frio que meus lábios têm. A flauta que soa em meus ouvidos e coisas a me destruir. Essas minhas faltas e presenças, que o mundo torna tão indiferentes.
Calar o meu silêncio diante da lua e não quero mais saber do que me diz o horizonte. Ele não é meu e me canso de tudo isso, do que não me pertencerá jamais. Às vezes penso que os dias têm horas a sobrar. Será mesmo viver opcional? Desligue aquela chave geral, apague as luzes da sua vida e eu não me atrevo mais a vagar por aqui. Posso ouvir a vida a me dizer...
Canso da cor do céu, que não muda quando estou a chorar. Não há respeito em nascer. E cores feitas não mudam mais. E não querem mudar, assim como não vão mudar as coisas de que meus olhos choram indiferentes e eu continuarei a ser a dona do vazio de ninguém. Enquanto nada me pertence de forma opcional, por falta de opção. E eu fico por aqui, a emudecer-me.
Alguém que continue minha frase? Deslocaram-me de mim e creio não haver mais ninguém, de dentro. E de fora, cansei também. Cansei de habitar lugares que não existem, rachaduras que não me cabem.
Vê, ao longe, meu futuro?
Nem eu.

10 comentários:

Noemyr disse...

Muito lindo seu texto, Glau, porém muito triste?
"Vê, ao longe meu futuro?"
Vejo não... Veja pedras e flores.
Pedras para construirmos o que quisermos, a gente se machuca. Mas que se há de fazer?
As flores são pra enfeitar a amargura, como disse Caio F.
"A gente pode enfeitar a amargura"
Pode sim =)
LUUUUUZ pra vc... Quero ver a próxima foto bem colorida, viu?
rs
Beijos :*

Samuel Quintans disse...

Olá Gláucia.

Os poetas muitas vezes se apresentam travestidos de dor e amargura.

Ao poeta cabe o exagero
A ele é permitido brincar com os extremos
Com as discrepâncias

O mais perigoso ao poeta
Seja ele melancólico
ou esperançoso
Seja ele dedicado ou desprentencioso
Cuidadoso na arte do sentir
ou descuidado na arte do viver
E como eu ia dizendo
O mais perigoso ao poeta
É ele esquecer-se de despir-se de suas personas inspiradoras
E as mesmas seguirem ligado à ele
Confundindo-se
Criador e criatura
tal qual uma fábula bem conhecida...

Luz e vida pra você

Experimente olhar o horizonte com olhos de ver e sorrir! O por do sol nesta época é show de bola!

Experimente

Samuka

Samuel Quintans disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucas Lima disse...

difícil mesmo definir coisas tão abstratas, o futuro então, rsrs, esse é algo totalmente longe das nossas premissas, rsrs...
Mas temos que tentar impor nossas vontades, e ser o mais feliz que consegurimos...
bons dias

projetoautoral disse...

Seu texto soa triste, mas é esperançoso saber que a escrita ainda é um lugar para se colocar palavras também sobre tristeza.
Talvez, então, o futuro não queira ser visto ao longe, mas logo aqui, logo no que está próximo, naquilo que você acaba de escrever.

Bonito blog!

EMAI Automação disse...

Se há amor em tais versos, mostra-me-lo, se há melancolia, vem que te afago, se há ansiedade, vem que te acalmo, se há apenas poesia, vem, e trovemos juntos.
Beijos
Trovador com saudades.

Fernanda Luz disse...

Texto lindo, palavras que fico refletindo agora.
Parabéns...

Abraços.

Fernanda Luz disse...

Olá...

Eu novamente...mas é para oferecer um selinho a você que esta no meu novo post....

Abraços...

ONG ALERTA disse...

As cores não vão mudar, temos uma opção na vida ou nós mudamos ou mudamos, mais nenhuma, nós que fazemos a diferença nesta história então vamso colorir o mundo ,paz.

Buh disse...

Interessante o texto
Parabpens viiu

bjuu