27 julho, 2010

do amor regresso


Apague logo essa luz e não me diga pra vestir roupa. Quero dormir assim, sem o trabalho de tombar o corpo. Sem o trabalho de fechar os olhos. Não pare, nunca mais, de arranhar minha pele enquanto meus dedos brincam de se esconder entre seus cabelos transtornados. Não fique tão calado porque sei que não é assim que tem de ser. Silêncio lembra fim. O fim das realidades breves. Momento ofegante que antecede o cair da lágrima. Fale! Fale! Não permita que eu pense nisso, não agora. Não depois do agora, definição de tempo que expressa o meu interesse superlativo na umidade relativa do seu corpo. E como eu meço!
E que o frio sugue tudo isso para baixo dos nossos lençóis, quais colchas de retalho novo que, de tanto atrito, se transformaram em tecido vagabundo.
E eu bebo teu suco burguês enquanto você arduamente faz a polpa sobre meu corpo qual bandeja. E penso que sob seria ainda melhor. Mas, me silencio no medo agourento de que algo se perca na fração de segundo do meu gemido por socorro, redenção e salvação entre suas pernas e algemas.
E é quando ataca a melancolia desnutrida do amor. O egoísmo do momento que cega e faz perder a pose até a mais discreta das gurias. Perder coroa as rainhas, a honra as donzelas e o título baronesas.
Foi apenas vergonha pelo pedaço da sua camiseta que ficou em minha mão, outro pedaço no chão para que a melhor camada, a inferior, fosse toda minha e para mim com a urgência e iminência do fim do mundo.
E foi assim que entrou no quarto, de boca ávida e olhos cheios, dizendo:
- Se o inferno me espera, que seja pela tua boa causa.

3 comentários:

Gubez disse...

Este texto fez-me devanear.
Apenas mais um mero devaneio tolo...
Ósculos.

Letícia disse...

Escrito diretamente para alguém.

Lovely, hard and cruel.

Já estive assim, Gláucia. Escrevendo (aos borbotões) e meu mote era SIMILAR AO SEU. E sei lá por que apertei capslock.

Edwaldo Generozo disse...

Erótico...