23 setembro, 2010

janela da vida


-O que deu na sua cabeça?
Senti a indignação nos olhos dele. Entre raiva e nojo, a expressão daqueles olhos lacrimosos e agora tão distantes. O que pensava? Que ideias lhe pairavam sobre a cabeça? Acho que, pela primeira vez, não fiz questão de saber.
-Você não pensou que tinha uma vida toda pra isso?
-Ai, chega! Eu dou a entender que me arrependo? Eu nem estaria aqui hoje se fosse diferente. Você não pensa?
Como se subitamente voltasse à realidade, ele me olhou, tão curioso...E seus olhos eram dois pontos de interrogação que ficaram sem resposta.
Acho que minha reação foi carrancuda, olhei gravemente para o chão. Achei ridículo aquele verde-limão no All Star dele. Abri a bolsa, peguei o celular e olhei o que já sabia: nada.
-Que horas são?
-Não sei.
Eu não olhei a hora, eu olhei o celular, essa foto minha olhando pela janela do ônibus da vida, morrendo de vontade de descer, com um medo enorme de seguir caminhando.

5 comentários:

Letícia Palmeira disse...

Medo não rima. Embora seja parte da estrada... mas ele não rima com tua prosa. É livre e aberta.

Por aqui... pensando. ¬¬

E eu estou muito bem. =)

Larissa Marques disse...

que bom conhecer sua escrita!
belo blog!

Maíra K. disse...

Talvez eu tenha a vida toda para fazer algumas coisas, mas também tenho o tempo do mundo para me arrepender (ou não) do que fiz!

Se achamos que aquele é o momento certo para agir ou deixar a oportunidade passar, pois bem, que seja assim. Temos escolhas! Se a hora foi boa ou não, só nós que sabemos!

beijos,
bom fim de semana!

Samuel Quintans disse...

Olá minha querida!

Passando para entregar-lhe um selo especial. Espero que fique feliz com a homenagem...

Com carinho

Samuka

http://sempreacontecendo.blogspot.com/2010/09/amizades-deste-plano-tambem-aquecem-o.html

Paixão disse...

A gente vive a angústia do não saber e do esperar o que pode vir ou não. A solução é tentar vier enquanto se está morrendo...