30 abril, 2011

Um pedido ao tempo

Mais vale uma boa dose do silêncio do que deixar fruir esse grito amargo vindo de dentro.


Não me importa, já disse que não me importa. As minhas lágrimas são caladas e refletem as cores do poente sem que eu saiba o teor do meu próximo lamento. Não sinto saudades de minhas perdas, dos meus desejos incompletos, minhas ganas falidas...Eu tenho dor, a dor calada dos que já não sabem o dia de amanhã como souberam o de ontem. Me sinto à míngua de uma lembrança escassa de um sentimento torto que me formou quem sou e hoje já não vive mais. Não o buscaria em lugar qualquer, sou ciente de que ele já não existe. Mas, não ouso um chorar sonoro: pedi ao tempo que jamais fosse clemente comigo, eu tenho pressa.

2 comentários:

Letícia Palmeira disse...

Eu lamento minhas perdas. Mas sei que a gente só ganha quando perde. É a lei da reciprocidade. Mais ou menos isso. ¬¬

NDORETTO disse...

Melancolia bem escrita. Gosto disso.Prosa curta e boa. Gostei. Vou seguir.

Bjs
Neusa