19 maio, 2012

Na direção que aponta o medo

Dos lugares que andei, ficaram cinzas. Parti enquanto todos dormiam. Corri por estradas dúbias, sentindo mais que na pele o vento frio de ser sozinha. O frio fragmentou tudo o que vi, pouco pude levar. Por vezes calada, adiantava meu caminho, sentindo a dor domando o frio, fechando os olhos na tentativa fútil de ignorar. A paisagem seca, o silêncio mórbido. Nada houve que pudesse me prender e por isso eu prossegui. Com a certeza do não deixar nada para trás. Ninguém olhou-me pela janela, nenhuma lágrima se feriu na queda. Minha noite é meu trajeto e quando já não posso mais, encolho-me na relva, regada do orvalho e choro, adiando meu caminho, sentindo o frio domando a dor, abrindo os olhos na tentativa útil de encarar. A vista mórbida, o grito seco. Minha estrada é longa e não posso ver onde ela vai chegar. Então prossigo, de olhos cegos, na direção que aponta o medo.

2 comentários:

Gubez disse...

O medo é meu trunfo, amigo de todas as horas. O desafio todo o tempo, com as mais diferentes situações. Quando penso nele, ele me assusta, mas sei que quando ele pensa em mim, ele se apavora. Não tê-lo comigo não é possível, e neste ponto da vida, nem desejável. Assim, continua sendo um prazer desafiar o medo dia após dia.

Paixão disse...

Temos medo do desconhecido e mais medo ainda se o conhecido de repente nos desconhece, se de repente nos desconhecemos de nós mesmos. Se é que nos conhecemos um dia ...