26 maio, 2013


Todas as verdades se rabiscam dentro dos meus olhos 
e retornam para os teus em forma de mentiras.

Em toda minha gana por tudo o que seja muito e ainda mais completo e minha possessividade em querer dizer o que é meu, de dentro para fora. Tantas coisas que deixam clara minha necessidade exagerada de intensificar o que já é forte e grande o bastante. Minhas palavras escolhidas e tolhidas, o perfume de cada dia e o poema de cada noite. A separação de cada coisa, a mistificação de cada nota, cada nuance, a devoção ao sempre, único e mesmo romance. A falta que se sente a cada dia, as manhãs que a cada vez ficam mais frias. A noite que a cada dia chega mais cedo e a tarde que agora cai sem nenhum efeito. Todas as escolhas e o momento crucial de se dar um passo a frente, ou um para trás. Cada pensamento que deixei voar até você como uma brisa leve que te modificou, imperceptível. Todas as vezes em que seu olhar esquivo desistiu perante o meu e todas as vezes que minhas palavras desistiram diante de um sorriso seu. Sempre que saí entorpecida pelos corredores a te procurar, inconsequente, sentindo meu tato adormecido pela substância tóxica que emana da tua simples e pura existência. Enquanto eu procurava em todas as coisas do mundo algo que parecesse bastar, que fizesse calar todos os gritos guardados. Sem saber a fórmula de saciar o vício e apartar você do coração. Um dia frio, nada mais. O silêncio compartilhado, uma porta fechada e você me resolve como equação.


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