01 setembro, 2013

Palavra movediça

Era a mesma presença,
a mesma cicatriz.
A dor que descompassa,
ao toque da ferida interior.
Era a única presença,
o torpe impetrante
a penetrar os poros
de quem se sabota em negação.
Enigmas e ampulhetas
distraindo o metodismo
de um sono abstrato.
E a presença se fez matéria,
em dia nítido,
trilhando meus caminhos isolados.
Os mesmos olhos mortos
de tons sombrios o bastante
para se reconhecer.
Sem qualquer ruído
fiz meu único pedido:
que teu silêncio mórbido
expelisse uma única palavra,
feita de letras entrelaçadas,
pra se sufocarem junto a mim
na tua escrita movediça.
E já era tarde
ao despertar da noite infértil,
porque sempre que o dia
se transforma em noite,
o sonho já não é o bastante.
Talvez,
demasiadamente pouco.

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