04 março, 2015

Poço raso

Se vivo envolta pela névoa desse amor
de instante
poço raso de água inconstante
vertendo à força contra as laterais de uma terra
solta -

É porque tento,
atenta, contra sua opinião fincada.

Enquanto desvio,
vendada, de sua condição de atirador
itinerante;
de dono absoluto
de umas verdades causticantes.

Se vivo submersa em águas turvas
afogada em lençóis de inverdades
É porque não há fuga desse escuro
subterrâneo e úmido.

Decido -
permito-me ser alvo
e desenho-me frente a ti
saliente
através da parede terrosa -
seu julgar-me, displicente.

E se fujo da luz amanhecida
E bebo de tais dias
inebriada numa falsa embriaguez
é porque não aceitaria -
jamais -
o seu olhar contente ao me ver vencida.

E você que tanto diz
despido do amor
que te desacredita
Que olha tanto acima e longe,
viaja distante
e faz de si alheio

à procura de avistamentos.
De, talvez, algum relato:
- um amor voador não identificado -

Você,
à procura de algo qualquer
na recusa do amor que vê
em rechaçar o amor que tem.


[03/11/2014, Publicado em minha extinta página no Recanto das Letras]

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