12 julho, 2016

Aurora boreal


Meus olhos cegos 
puseram-me desde cedo 
a tatear nas paredes desse abismo, 
a inscrição outrora feita 
por irrequietas ninfas, 
mantidas em constante espreita 
de um amor que, um dia, 
ousaram a semente semear.

A luz tardia que em maio 
aos meus olhos foi cedida 
precedia a sua: 
a precoce e luminosa aurora boreal 
que diagrama em meu céu 
um único ponto cardeal, 
indicando-me o rumo incerto 
dessa busca indefinida.

Trilho a direção 
que dita a bússola dos meus poros; 
o norte magnético 
em tua presença personificado, 
arrastando meus grilhões 
sobre o solo petrificado 
de um caminho de encontros 
cada vez mais raros.

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